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Uruguai: Montevideo em 3 dias, chegando de barco por Colônia.

Montevideo possui cerca de 1,5 milhão de habitantes, chegando a 2 milhões em sua região metropolitana. É uma cidade relativamente grande, e achei bacana pois me senti em um grande bairro, não tendo aquela característica de uma metrópole muito agitada, com arranha-céus, trânsito caótico, gente para tudo quanto é canto, como chega a ser Buenos Aires ou São Paulo, mas uma cidade simpática, calma, com muitas construções estilo europeu.

Meu roteiro até a capital uruguaia foi planejado de forma bem rápida e objetiva, pois meu destino principal foi Buenos Aires, onde fiz um intensivo de español (junho-julho/2017), foi então que resolvi conhecer Montevideo, já que estava “por ali” mesmo (em outra postagem, falarei sobre minha experiência na capital porteña). Planejei 2 noites e 3 dias, contando com ida+volta. Confira!

Comprei os tickets de embarcação na Seacat, que é da mesma empresa Buquebus (a mais cara), mas uma espécie de lowcost desta. O trajeto foi atravessar de Buenos Aires até Colonia del Sacramento, e de lá tomar um ônibus, da própria empresa – já incluso no ticket, e seguir por estrada até Montevideo.

Comprei antecipadamente, pelo site seacatcolonia.com.ar, onde pude encontrar preços bem atrativos, praticamente pela metade do que pagaria na Buquebus. Há ainda outras empresas que fazem a travessia, como a Colonia Express(encontrei muita reclamação sobre ela e resolvi não arriscar).

A ida e volta, com os encargos, custaram $ 1.386 pesos argentinos, que, na época da compra (abril/2017), foi cerca de R$ 300, com o peso argentino a R$ 4,50 (atualmente, março/2018, o peso está 1 para 6 ou quase 7 reais, ou seja, bem mais em conta ainda). Há que se observar que os barcos da Buquebus demoram cerca de 3 horas para fazer a travessia, pois são embarcações maiores, que transportam carros e veículos grandes, e consequentemente a travessa se torna mais lenta. Pela Seacat demorou apenas 1 hora o mesmo trajeto.

P.S.: tive uma pequena dificuldade para fazer meu cadastro no site da Seacat, pois não estava aceitando meu e-mail do gmail, tampouco da UOL, pois o sistema de pagamento com cartão de crédito da Seacat é feito pelo Mercado Pago Argentino (não encontrei outra alternativa), e ao cadastrá-los, não permitia. Enfim, não sei dizer ao certo se foi problema com o domínio, problema no site, ou algo que eu não fiz direito. Achei meio estranho, então resolvi fazer um e-mail da Yahoo Argentina (.ar), e ao finalizar a compra deu tudo certinho. O ticket logo chegou por e-mail, sem problemas.

Comprei o ticket da Seacat com 2 meses de antecedência (comprado em abril, para trajeto em junho), pois deixar para a última hora, certamente fica mais caro e sem opções disponíveis, a depender da temporada.

Ticket de compra da Seacat

As embarcações da Buquebus e Seacat saem do Terminal Tres Cruces, em Puerto Madero – Buenos Aires, e o check-in é feito no mesmo guichê de ambas empresas, pois como disse, faz parte do mesmo grupo. Não tive problemas e foi tudo bem rápido e tranquilo. Fiz o check-in, e logo passei pela imigração, para dar saída da Argentina e registrar a entrada no Uruguai. Tudo é feito ali mesmo, pois há no mesmo lugar a imigração uruguaia para validar sua entrada.

Esperei cerca de 40 minutos na área de embarque do terminal, onde rapidamente foi anunciada a chamada para embarque e uma fila enorme se formou. Achei bem organizado, pois não houve problemas e nem atrasos. Minha expectativa era de entrar numa espécie de “lancha”, já que foi praticamente metade do preço da Buquebus. No entanto, me surpreendi. Era enorme, com 2 andares, restaurante e free shop, e muitas poltronas.

Saindo de Buenos Aires, pelo Rio da Prata, a Colonia

Dentro do barco. Havia 2 andares, com restaurante e Free Shop

O trajeto durou cerca de 1 hora até Colonia, onde rapidamente fiz o desembarque e passei pelo raio x. Logo na saída já havia ônibus para levar-nos até Montevideo. Achei bastante apertada a poltrona, pois tenho 1,82m de altura e, para mim, foi desconfortável, para uma viagem de 2h30 horas, pela rodovia. (180km)

Terminal de Montevideo. Foto: Google

Chegando na rodoviária de Montevideo, tomei um taxi logo na saída e fui para o hostel. Peguei 2 noites na Posada del Gaucho, que se encontra bem no centro antigo de Montevideo, e pertinho do porto e Mercado do Porto, sem falar nas feirinhas e vários monumentos históricos. Procurei bem a hospedagem, a pente fino, pois queria algo bem localizado e a um custo-benefício vantajoso para o meu bolso. As duas noites custaram $ 28 dólares, com café da manhã!!

A recepção foi bem atenciosa e prestativa. Quartos limpos, camas confortáveis, e, para minha alegria, não havia ninguém no meu quarto compartilhado! E foi assim pelas duas noites. Ainda tive mais sorte, pois pude escolher uma acomodação que ficava numa espécie de um mezanino, dentro do próprio quarto, meio que um quarto dentro de outro, rs. Fiz a reserva pelo Booking, com opção de pagamento na hora do check-in.

 Hostel Posada del Gaucho

Assim que fiz o check-in, logo saí para bater perna pelo centrinho antigo, tirar fotos e comer algo.

Cidade Velha

Feirinha na Plaza de la Constitución

Peatonal Sarandí

Plaza de la Constitución

Plaza de la Constitución

Puerta de la Ciudadela

Plaza Independencia

Plaza Independencia
Plaza Independencia

Plaza Independencia

Teatro Solis

Puerta de la Ciudadela – voltando à noite. Neste ponto há Wi-fi grátis por alguns minutos.

Bife de Chorizo Uruguaio

Plaza de la Constitución – voltando à noite

Plaza de la Constitución – voltando à noite

Se você ficar ali pela Cidade Velha, recomendo seguir até à rua 18 de julho (passando a Plaza Independencia), onde há vários restaurantes, cassinos, monumentos importantes como obelisco, e a famosa estátua de Carlos Gardel. Não cheguei a ir até lá, mas fica a dica!

Estátua de Carlos Gardel, na Av. 18 de Julho. Foto: Google

FAZENDO O CITY TOUR – BUS TURÍSTICO

Como eu fiquei apenas 2 noites, pesquisei no Google e encontrei o Bus Turístico (City Tour), que faz praticamente os principais pontos da cidade inteira. Encontrei um guichê bem perto de onde eu estava hospedado, próximo ao Mercado do Porto, na calçada mesmo, e fiz o pagamento com cartão, para o outro dia bem cedinho, saindo dali mesmo. Horários e Tarifas podem ser encontrados no site: http://www.busturisticomontevideo.com.uy.

COMO FUNCIONA O BUS TURÍSTICO

Foto: Site Bus Turistico Montevideo

Há dois tipos de ticket: um com validade de 24h e outro de 48h. O preço para 24h paguei por volta de R$ 73 (638 pesos uruguaios, que, na época, estava 8 para 1). Há Wi-fi no Bus. Ao pegar o Bus, você pode desembarcar em qualquer ponto do roteiro, fazer a visitação do local e aguardar o próximo passar, por isso tem validade de 24 horas, pois há essa opção de descer, conhecer, esperar o próximo e continuar seu passeio. Eu escolhi 4 pontos para descer que julguei mais interessante, porque apenas em 1 dia não é possível fazer todos (são 10), até mesmo porque alguns pontos do trajeto eu fiz a pé de um lugar para outro, para não ter de esperar 1 hora, além de não ter
sido longe.

TRAJETO

Logo cedinho, fui a pé ao mercado do Porto, de onde o Bus sai, na parada zero, bem perto de onde eu estava. Chovia muito (maior temporal!) e fazia bastante frio também. Como sou prevenido, e sempre acompanho a previsão do tempo e levei guarda-chuva, mas, ainda assim, não teve jeito de pegar aquele “vento molhado”. Sugiro ir bem cedo, dependendo da época, pois o ônibus enche na próxima parada. Por sorte, minutos depois a chuva parou e ficou tudo lindo.

PALÁCIO LEGISLATIVO

Minha primeira parada foi no Palácio Legislativo, sede da Câmara dos Deputados e dos Senadores do Uruguai. É possível entrar e fazer visita guiada. Os preços e horários estão no site do Parlamento.

Como fiz a visita por fora, tirei algumas fotos e não esperei 1h para o Bus passar. Fui caminhando até o Mercado Agrícola, que fiz em menos de 20 minutos e no caminho tirei fotos de alguns lugares.

MERCADO AGRÍCOLA

Quando cheguei no Mercado Agrícola, gostei bastante do lugar. Há várias opções para comer, beber, frutas, verduras, enfim, um mercadão, mas bem estruturado. E, é claro, eu fui provar o famoso Chivito uruguaio, que é um pão com carne e bacon, tipicamente uruguaio, que veio acompanhado de fritas, no Chivito Lo de Pepe. Eu não me lembro qual o preço que paguei pelo lanche, mas acho que foi menos de 20 reais, com bebida. Havia uns combos como opção.

Chivito – no Mercado Agrícola

De bucho cheio, fui dar uma volta pelo Mercado. Não é um espaço grande, e, em 10 minutos, vi tudo . Conferi meu ticket do Bus e logo apertei o passo para pegar o próximo que já estava para passar.

PONTOS POR ONDE O BUS PASSA

O Bus Turístico passou por vários lugares até chegar à próxima parada, e, é claro, fui tirando mais fotos.

ESTÁDIO CENTENÁRIO + MUSEU DO FUTEBOL

Saindo do Mercado Agrícola, o Bus passou por vários monumentos, um pequeno canal e adentrou pelos bairros até chegar no próximo destino que eu queria: o Estádio Centenário. O Estádio Centenário foi o cenário da primeira Copa do Mundo, em 1930, sendo o Uruguai como campeão mundial. Para poder entrar no estádio, é preciso comprar o ticket, que dá direito também à visitação ao Museu do Futebol.

O preço foi cerca de $ 90 pesos, em torno de R$ 11,00. Foi uma visitação que valeu a pena, apesar de eu não ser tão fã de futebol, mas muito interessante poder conhecer o passado do futebol uruguaio e a construção do estádio, com vários fotos, esculturas, objetos e medalhas. Bastante Interessante.

Estádio Centenário – Palco da primeira Copa do Mundo, em 1930

Museu do Futebol – Vitória De Samotrácia

Saindo do museu, fui para o estádio. Por um momento, ao passar pelas instalações, lanchonete, bilheteria, fiquei imaginando como teria sido em 1930 aquele lugar, cheio de gente, estrangeiros, imprensa etc. Foi uma sensação bacana, pois nunca visitei um estádio de futebol, a não ser o daqui de Campo Grande MS.

WORLD TRADE CENTER + PRAIA DE PONCITOS

Peguei o Bus e segui até à próxima parada: World Trade Center de Montevideo. Eu não queria visitar esse local, até mesmo porque é um prédio comercial comum, não há nada demais. No entanto, desci ali porque era o ponto mais próximo da praia de Poncitos que o Bus parava, onde fica o famoso letreiro de Montevideo. Se eu fosse descer no próximo ponto, após o WTC, seria apenas em Punta Carretas, que é um bairro onde há um shopping de mesmo nome, e ficaria mais longe ainda!

World Trade Center

PRAIA DE PONCITOS + LETREIRO

Caminhei até a praia de Poncitos, e logo vi o letreiro. Foi uma disputa para tomar uma foto.

Pensei em caminhar até Punta Carretas para pegar o Bus de lá, mas dava pouco mais de 2km, enquanto voltar até o World Trade Center, 1km. Resolvi voltar até o WTC e esperar o próximo Bus. Vale dizer que em Montevideo, as vias na beira da praia são chamadas de Ramblas. Então se vir este nome, já vai ter ideia de que é na beira da encosta.

A essa altura eu já estava cansado, porque fiquei um bom tempo no Estádio Centenário e na Praia de Poncitos. Tomei o Bus e fui direto para a parada zero, que é de onde saiu o Bus, no Mercado do Porto.

MERCADO DO PORTO

Chegando ao Mercado do Porto, fiz uma rápida passeada lá dentro, e estava lotado de gente. Havia um cheiro incrível de churrasco, para todos os cantos, muita gente do lado de dentro e de fora, já no final da tarde. Esperei para encontrar uma amiga, que é daqui de Campo Grande (e eu nem sabia que ela ia para Uruguai e Argentina! Muita coincidência, pois há anos não a via e fomos nos ver por lá!), e ficamos sentados observando o movimento, a feirinha na frente do mercado, que era bastante agitado.

Entrada do Mercado do Porto

Mercado do Porto – Muito churrasco!!

A fome bateu, e saímos do Mercado do Porto e decidimos andar mais pelo entorno, até pararmos num pequeno boteco, onde comemos como se não houvesse amanhã. A comida uruguaia, assim com a argentina, sempre acompanhada de fritas ou purê de batatas. Arroz não é comum. Encontrar feijão, então, só por um milagre. Mas para que sair daqui de Campo Grande e querer comer arroz com feijão tão longe, não é mesmo? (apesar de que chega uma hora que a loucura bate à barriga… é desesperador ficar sem arroz e feijão por muito tempo. Sou brasileiro, né? rs).

Comemos bem e nos despedimos, pois ela já pegaria seu voo de volta para o Brasil no dia seguinte. Já havíamos nos encontrado no Hard Rock em Buenos Aires, uns 3 dias antes. Foi realmente uma boa surpresa, pois não imaginava que ela iria para lá também.

Voltei para o Hostel no final do dia e fui descansar. No outro dia, tomei café, terminei de arrumar as coisas e peguei um Uber para a rodoviária, para pegar o ônibus com destino à Colonia, onde pegaria o barco para retornar à Buenos Aires. O horário do ônibus era 12h45.

IMPREVISTO DESAGRADÁVEL

Quando entrei na fila do guichê da Seacat, na rodoviária, fui informado de que o porto em Buenos Aires estava fechado por conta do mau tempo e o barco nem havia saído de lá para Colonia, e, por conta disso, tampouco os ônibus teriam partido para Montevideo trazendo os passageiros.

Esse é o lado perigoso de fazer a travessia no inverno, principalmente em Junho/Julho/Agosto, onde o inverno está
em seu auge, sujeito a nevoeiros, neblinas etc, e, quando isso acontece, não temos o que fazer. Motivo de força maior. A navegação fica fechada, por conta da segurança.

Foi tenso, porque insisti por várias vezes sobre alguma alternativa e a única que eu tinha era receber meu dinheiro como crédito para usar em outra ocasião, caso quisesse desistir, ou simplesmente aguardar, sem previsão de horário. Com muita sorte, se o tempo colaborasse, poderiam ter uma resposta após às 17h. O que não me agradou foi o fato de não ter havido ônibus para nos levar de volta, tendo de esperar os de Colonia chegar. Se tivesse, poderia ter adiantado, não é?

Logo pensei: e agora? Já havia feito check-out, já estava de mala e cuia pronto para voltar. Já estava na hora do almoço, por volta de 12h30. Comprei uma passagem avulsa em outra empresa de ôninus para Colonia (não me lembro nem do nome), e em 1h hora já estava partindo. Não me lembro do preço exato, mas foi em torno de 40 reais. A fome bateu e aproveitei para fazer um lanche antes de partir. Comi no Mc Donalds, pois era a única opção menos ruim do terminal.

Após 2h30, cheguei na rodoviária de Colonia, que fica bem ao lado do porto. Fui direto ao porto e ao guichê da Buquebus/Seacat e me informaram que o retorno estava confirmado para às 20h. A essa altura já era umas 16h. Há males que vem para o bem. Aproveitei e deixei minha mochila num guarda-volumes, bem na frente do porto, e fui bater perna por Colonia. Afinal, a cidade é pequena e eu ainda tinha umas 3 horas para isso.

COLONIA DEL SACRAMENTO

Peguei um mapa no guarda-volumes, onde deixei minhas muambas, e fui bater perna. A cidade de Colonia possui 130 mil habitantes, e a parte antiga e turística, pertíssimo do porto, é apaixonante. Você consegue fazer tudo a pé, visitando os principais pontos.

Curiosidade sobre Colonia del Sacramento: A cidade foi fundada por portugueses, em 1680, e é bastante visível reparar essa colonização nas construções, e logo ao final da avenida principal do centro antigo, há um farol, onde foi base militar portuguesa durante muitos anos.

Chegando ao Farol, que é o único do Uruguai, vi que era aberto ao público, para fazer a subida. O preço da entrada foi $25 pesos uruguaios, em torno de 4 reais. São 118 degraus até o topo, com uma visão incrível, 360º, de toda a cidade, com vista para o Rio da Prata.

Como estava bastante frio, lá em cima estava pior ainda, pois ventava bastante, e não aguentei ficar por muito tempo. O vento cortava o rosto, era muito gelado e fiquei até com dor de cabeça, rs. Mas a subida e as fotos valeram a pena.

Caminhei pelo entorno do Farol, na Plaza Mayor, e logo fiquei encantado com a arquitetura antiga, as ruas de pedra e paralelepípedo, pequenos restaurantes que eram um charme! Cheguei até a entrar na Igreja Matriz, Basílica do Santíssimo Sacramento, por curiosidade.

 Um charme! *–*

Já andado mais que notícia ruim por aquele centrinho, resolvi voltar, por medo de perder o retorno à Buenos Aires. No caminho, comi um Pancho Uruguaio, cachorro-quente, (não muito diferente do argentino) e logo fui para o porto. Finalmente, o terminal já estava bombando, filas imensas e fiz meu check-in para retornar à BsA.

Valeu muito a pena ter esticado a viagem até Montevideo e, por sorte ou azar com a embarcação (acho que mais sorte!), pude conhecer Colonia del Sacramento, pois não estava nos meus planos. A cidade é encantadora, charmosa. Os uruguaios, de forma geral, são muito receptivos, acolhedores, calorosos e adoram uma boa conversa. Gostei pakas!

Fica minha experiência. Espero que possa ajudar a planejar seu roteiro. Obviamente, como fiquei pouco tempo, há muitos outros passeios e lugares para serem vistos. No entanto, no tempo que tive acredito que eu tenha aproveitado bastante! Dicas e sugestões desses lugares, para complementar, deixe seu comentário!

Abraçossss!

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